segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

POLICARPO E 2014

                                                   Aldo Zottarelli Júnior

Topo com o Policarpo, notável professor de história e polêmico crítico de política.
- E daí, Poli, gostou da mensagem da presidente, neste final de ano?
- Tenho a impressão de que ela estava falando sobre um outro país.
- Porque Poli?
- Um amontoado de mentiras. Ela já iniciou a sua campanha às eleições de 2014, falando sobre o seu governo e nós todos pagamos a conta dessa veiculação. Só 90 mil reais! E olha que a verdade é outra.
- Será?
- Eu lhe explico.
Daí em diante, o Policarpo contou-me o seguinte:
" Essa senhora teve uma participação ativa no cometimento de crimes de terror, lá pelos anos de 1964, quando sonhava, com outros companheiros, um Brasil sócio-comunista  patrocinado pelo governo de Moscou. Algo que havia germinado em Cuba. Os militares brasileiros reagiram e para manterem o Presidente da República sem qualquer poder de decisão, obrigaram o Congresso Nacional  a transformar o sistema de governo para um parlamentarismo meia boca. Durou pouco, porque o presidente queria amplos poderes e conseguiu, através de um plebiscito, voltar ao sistema presidencialista.
Em vista disso, sentindo amparado pela população, os atos do presidente começaram a levar o país para o sonhado sócio-comunismo. Os militares não pensaram duas vezes e  deram um golpe, assumindo o controle da nação brasileira durante muitos anos.
Nesse período, fecharam as duas casas legislativas federais e muitos politicos esquerdistas declarados e terroristas por conviccão fugiram para o exterior. 
Longe da pátria amada, em reuniões e com mensagens trocadas entre eles, prometeram que se um dia eles voltassem ao Brasil iriam lutar para conseguir o poder de governar e mudar as coisas.
E isso realmente aconteceu, quando os  militares devolveram o poder aos civis  com a anistia ampla, geral e irrestrita para todos os lados.  Em consequência, apareceu um movimento chamado de “Diretas, já!”  criado por um grande adversário dos governos militares, mas respeitado pela sua formação de politico sério, democratico e acima de tudo um grande lider do povo brasileiro.
O Brasil voltou a ter uma democracia plena com o povo escolhendo e elegendo os seus candidatos, entre eles, muitos dos terroristas fujões. Depois de pouco tempo e muitos encontros e desencontros, surgiram dois partidos politicos fundados pelos esquerdistas, comunistas e outros istas, com o objetivo de conquistar o poder e estabelecer um  discurso mentiroso direcionado ao sofrivel e esquecido povo-eleitor.
Conseguiram!
Parece que os dois partidos se ajustaram para um objetivo comum da conquista do poder, definindo o tempo da sua duração para cada um deles, ficando o outro na oposição. 
Dezoito a vinte anos seria um bom período para a troca do comando. Tudo em casa!
Parece que é o que está acontecendo.
O povo, bem o povo, ficou do lado de fora, apenas obrigado a votar nos fujões e seus  companheiros e  acreditando nas suas mentiras.
O partido daquele politico admirado pela sua coragem ao enfrentar de corpo e alma os militares com as “Diretas Já “ galgou a simpatia na maioria das cidades brasileiras e, com isso, o Congresso Nacional tem mais de 50% de  seus membros eleitos pelo seu partido nas eleições parlamentares. Com isso, o comando do Poder Legislativo federal  ficou garantido ou pelo menos uma das suas casas de leis.
Para os esquerdistas-comunistas, esse politico, pela sua formação democrática e séria, poderia atrapalhar o que foi combinado nas reuniões no exterior quando eram fugitivos. Logo após a promulgação da nova Constituição, a maior luta desse político, houve algumas consequências como a falta de explicação do por que é que as águas do oceano Atlântico, no litoral paulista, guardam os seus restos mortais, depois de um acidente (?) de helicoptero.
A verdade é que os outros pequenos partidos da direita guardam apenas o nome de seu último presidente que, por sua vez, perdeu o seu mandato e teve os seus direito politicos cassados por oito anos. Hoje, entretanto, ele é  senador da República. O seu governo foi acusado de corrupto mas nada foi comprovado e ele saiu ileso em julgamento do STF.
Este Tribunal tem um presidente severo que, depois de julgado o maior processo sobre corrupção e extorção já existentes na história deste país, colocou atrás das grades alguns daqueles  politicos fujões.
Talvez seja este o sinal do encerramento do comando do poder do atual partido que se encontra no governo há 18 anos, abrindo novamente a oportunidade para que o outro partido da esquerda ( farinha do mesmo saco ) volte a presidir este país.
A mensagem bastante mentirosa contida na fala da ex-terrorista que responde pela Presidência da República, neste final de ano, mostrou o que poderá acontecer em 2014. Tudo será feito para que o povo continue pensando que não é mais pobre, que não passa fome, que tem saúde, educação,segurança e moradia, auxilios federais de todas as expécies e que mudou para a classe C, aplaudindo, com entusiasmo, os projetos deste governo que, acaba engordando as contas devedoras desse mesmo povo, que ainda pensa  que dinheiro cai do céu. É só consultar o SERASA ou outro órgão semelhante para comprovar tal realidade.O principal articulador desse desiquilíbrio econômico e social do pais e de seu povo fugiu da rotina de aparecer e praticamente se esqueceu dos seus companheiros fujões que se encomtram atrás das grades da penitenciária da Papuda ou semelhantes.
O silêncio é a sua corajosa marca no momento politico atual."
De repente, o querido professor Policarpo olhou para dentro dos meus olhos e me desafiou:
- Você duvida? 

O autor é educador, escritor e músico
e mail: aldozottarellijunior@gmail.com

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

PROCEDIMENTO

                                                Aldo Zottarelli Junior

Palavra estranha esta que serve de título para estas notas.
Eu me lembro de tê-la ouvido, quando eu era um jovem metido a besta, ao enfrentar uma entrevista na busca do primeiro emprego.
- De acordo com o procedimento desta empresa, você será informado, através do correio. Boa tarde!
Confesso que a primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi buscar no "Aurélio"o que significava a palavra procedimento. Encontrei:
Procedimento. 1.Ato ou efeito de proceder. 2. V. comportamento. Verifiquei o que seria esse tal efeito do ato de proceder. Ali estava escrito: "1. Originar-se. 2. Provir, descender. 3. Instaurar processo. 4. Levar a efeito; executar. 5. Comportar-se. 6. Ter fundamento." 
Pô meu! Êta palavrinha mais porreta. Ela serve para tudo.
Estou aguardando até hoje, 50 anos depois, a resposta do "cara"que me entrevistou e que pelo "procedimento da empresa" mandaria o resultado através do correio. Vou esperar até quando?
Posso declarar que ouvi outras vezes a expressão "procedimento da empresa" como uma espécie de saída ou fuga de quem ficava sem saber ou ter que explicar qualquer assunto.
Cresci e  o uso da palavra procedimento cresceu também.
Hoje, ela é explorada em todos os sentidos constantes nos seus significados impressos no dicionário. Ou seja, ela serve para tudo.
Recentemente, fui internado num hospital da Unimed para uma cirurgia onde seria usado um grampeador cirúrgico e uma carga de grampos. Está lá, no pedido do médico. Como o nosocômio não tinha o tal do grampeador cirúrgico, a diretoria adquiriu oito unidades e quatro cargas. 
Repito: para a minha cirurgia seriam usados apenas um grampeador e uma carga de grampos.  Suficientemente, suficientes!.
-E daí? - perguntei para a funcionária.
- O senhor terá que pagar o total da compra que o hospital fez.
- Mas como? O meu cirurgião vai usar apenas um grampeador e eu pagarei oito grampeadores? Isso é um disparate.
- Sinto muito. Mas é o procedimento da empresa.
Topo com o Eulálio, amigo de velhas aventuras, e comento esse absurdo vivido dentro do hospital da Unimed. Ele me disse que as reclamações são uma constante e  ninguém faz nada para corrigí-las, porque médico não é administrador de coisa alguma e Unimed é uma cooperativa de serviços de administração dirigidas por médicos e emendou:
- Corrigir por quê?
Fiquei pensando na reação desse meu amigo e tentei transportar o meu problema à nível nacional e entendi porque num país, como o Brasil, fatos como esse ocorrido no hospital da Unimed são comuns e tudo fica como está porque ninguém enfrenta, "cara a cara", qualquer procedimento empresarial. É uma espécie de fato consumado que  passou a ser normal no cotidiano das nossas vidas.
Daí, vem o desafio: quem não concordar com esse meu procedimento que apresente um procedimento melhor.
Tenho dito e feito!

O autor é educador, escritor e músico.
e mail. aldozottarellijunior@gmail.com


domingo, 17 de novembro de 2013

A LIÇÃO DAS FORMIGAS

                        Aldo Zottarelli Júnior

Li, não sei aonde e passo para frente: "Só os fracos serão fracos para sempre".
Confesso que não entendi, porque se somos racionais, é bem possível ser fraco hoje e forte amanhã. Não é? Pois é!
Eu, pelo menos jamais me considerei um fraco e talvez por isso a minha vida eu sempre levei com lutas vencedoras e vencidas sem deixa-la me levar.
"Deixa a vida me levar, vida leva eu. . ." não é comigo, não!
Zeca Pagodinho que me perdoe, mas essa música só "pega" bem se você estiver cantando, alegremente embriagado e segurando um copo de cerveja nas mãos, sendo na maioria das vezes, acompanhado com outros da mesma "laia."
"A luta continua", diriam aqueles que pretendem alcançar algo mais para o seu futuro e têm razão em afirmar que tudo deve continuar na busca de uma solução com uma expressiva vitória.
Quem pensa assim jamais será um fraco porque iniciou um caminho profícuo em direção ao que ambiciona alcançar, com  certeza!
Agora, vejo formigas caminhando, em fila indiana, na busca de alimentos ou qualquer coisa mais que possa trazer felicidade à sua comunidade. Sim, porque nenhuma formiga pensa somente para si. Ela pensa na sua turma, ou seja, na sua comunidade que, por sua vez, somente conseguirá manter-se viva se estiver unida e com os mesmos objetivos sociais. 
Diferente de nós, humanos, que somente pensamos em nós mesmos e ficamos cantando "deixa a vida me levar. . ." esperando acontecer. Que coisa! 
Como somos diferentes uns dos outros, acabamos pensando em conquistas "pessoais" e, com isso, a nossa sociedade vai para o escambau. E vai mesmo. Alguém duvida?
Não seria fácil tentarmos imitar as formigas porque elas jamais se cansam de perseguir o que for necessário para as suas vidas, sem deixar que  essa vida as leve para onde quiser. Tente colocar algum obstáculo no caminho das andantes formigas enfileiradas e, em poucos segundos, elas encontrarão uma saída para a continuação da sua jornada de vida.
Todas falam e pensam em conjunto e ser respeitam demais. Se cumprimentam, educadamente, ao cruzarem umas com as outras e balançam as suas cabecinhas como um sinal de respeito.
Diferente de nós, humanos e "racionais" que além de não nos importarmos com os nossos semelhantes, deixamos, acima de tudo, as regras da boa conduta e da boa educação simplesmente desaparecidas. Se elas existem entre os humanos, devem estar inoperantes ou desaparecidas. As lições desse tipo de conduta social foram esquecidas pelas família e pelas escolas. Não é?
Respeitar os mais velhos e nos ajudarmos mutuamente seriam as primeiras regras que, infelizmente, trocamos pela indiferença da letra musical do "deixa a vida me levar, vida leva eu. . ." 
Até quando isso continuará sendo a nossa realidade?
Até que a palavra "vida", na canção, seja substituída pela "morte".
Bem, aí ninguém irá cantar.
Com certeza. 

O autor é educador, escritor e músico.
e mail: www.aldozottarellijunior@gmail.com 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

CONSCIÊNCIA

                                      Aldo Zottarelli Júnior

Insinuante e excepcional!
O que seria isso, meu Deus?
Foram duas expressões que ouvi, depois que alguém leu uma frase afirmando que nela havia um certo efeito de consciência.
Efeito de consciência?  O que é isso?
Engraçado como levamos a vida ou como vida nos leva. Uma não tem a nada a ver com a outra. É apenas uma conduta de saber levar e trazer. No final, elas se entendem.
Quantas vezes voltamos para as nossas casas com esse problema, depois de uma conversa entre amigos. Pois é aqui que poderá morar o perigo. 
Dependendo do efeito ocasionado pela tal conversa é possível que possa surgir, como consequência, o acoplamento de alguma doença de origem misteriosa. Um câncer, por exemplo. 
- Como um câncer? - perguntou Bonifácio, ao saber do assunto.
- É fácil. - respondeu-lhe o Jair e foi assumindo o assunto: "Dentro das nossas cabeças está a maior invenção do mundo, recebendo o nome de consciência. Essa "coisa", difícil de ser explicada, contém na sua composição, a única fórmula com o poder de alterar tudo que estiver à sua frente, para melhor ou pior. O arrependimento de não ter falado o que deveria ou por ter falado demais na conversa com os amigos seria um exemplo. E isso vai minando qualquer cabeça. A pessoa entre em "down" e o seu corpo fica vulnerável às doenças. Só o tempo ensinará como entender e aceitar essa verdade." Em tempo, o Jair é doutor em antropologia. Não preciso dizer mais nada. Foi ele que afirmou que a
força da consciência é imensurável. Tem um poder impressionante e traz a percepção correta daquilo que teremos de reconhecer que seja certo ou errado, mesmo que imposto pela sociedade, a principal indicadora das nossas ações. Assim, manejados pela consciência, vamos alterando tudo que vemos, percebemos, sentimos e ouvimos e que estão ao nosso lado. 
Essas ações nos mostram a imagem da realidade que, na maioria das vezes, não queremos que seja assim. Mas é! Daí acreditamos que nossa consciência é quem cria e conduz os nossos atos.
Para se chegar  a essa conclusão, é necessário também que se entenda que o cometimento dos nossos atos demonstra os frutos nascidos em nós, graças às nossas reações conscientes.
Não é fácil explicar o verdadeiro valor da consciência de cada um porque cada um tem a sua como um produto estritamente particular. "É impossível", diriam os especialistas nesse tipo de assunto. Mas poderá ficar fácil, se cada um de nós tiver a consciência de perceber e aceitar que todos os nossos atos são somente nossos, de mais ninguém, e por eles poderemos pagar caro ou não.
 Trata-se apenas da escolha ponderada e firme de um ato consciente certo.

O autor é educador, escritor e músico.
e mail: aldozottarellijunior@gmail.comr

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

QUEM FALA, PAGA!

                       Aldo Zottarelli Júnior

Ele sempre foi complicado para falar e entender as coisas. Daí o seu apelido de "Zé Complicado".
Um dia, eu me encontro com ele.
- Tudo bem, Zé?
- Bem porque? Eu lhe devo alguma explicação se estou bem ou não? Eu não vivo às suas custas. Está bem assim? 
Típica resposta mal educada de quem costuma complicar qualquer tipo de bate papo. 
- Você continua o mesmo, hein Zé?
- Como o mesmo? Eu nunca mudei nada a não ser a roupa do corpo.
Parecia que a coisa iria se complicar.
- É Zé, com você é na base de quem fala, paga.
- Nada disso. Quem falou, paga - respondeu-me.
- Quando falamos daquele que fala alguma coisa, seja séria ou besteira, temos que pagar pelo que falamos - retruquei.
- Está vendo. Falou, pagou e não quem fala, paga.
- É o mesmo. Só que eu falo no presente e você no passado.
- Você quer dizer que eu estou ultrapassado?
- Nada disso. Eu apenas afirmei que você falou no tempo passado.
O Zé me olhou desconfiado. Olhou para o céu. Depois para o chão e mandou:
- Tempo é uma coisa e, neste momento, estamos falando de outra coisa.
- Como outra coisa?
Apareceu um sorriso na face daquele cara que me deixou intrigado. E fiquei mais ainda, quando ele falou:
- Se estamos aqui agora é porque ontem estivemos no passado.
- Perfeito! Parece que você entendeu a minha afirmação de quem fala, paga.
- Nada disso. Confirmo o que eu sustentei, quem falou, pagou.
Olhei bem para aquele teimoso e lhe disse:
- Zé me parece que a sua teimosia está levando essa nossa conversa à uma complicação do tamanho de um bonde.
- Onde está esse bonde?
- Que bonde? - perguntei.
- Esse treco de bonde que você falou.
- Faz parte do passado. É claro que hoje não temos mais um bonde sequer. Passou.
- Tá vendo? Passou, não é?- pensou e completou - Ele não está passando, está?
- Claro que não.
- Pois bem, se ele passou, passou ou quem falou, pagou.
Poderia ficar horas tentando explicar para o Zé o que significava a expressão "quem fala, paga" mas ele jamais iria entender. Resolvi concordar com ele e levar a frase para o passado.
- Está bem, "seu"Zé.
- Eu não sou "seu" e nem de mais  ninguém.
- Me desculpe. Não foi isso que eu quis dizer.
- E o que foi, então?
- Esquece! Estou pagando o "mico"
- Mico? Que mico?
- Esse de querer que você entenda, de uma vez por todas, que a frase correta daquela expressão é quem fala, paga.
- Tudo bem, companheiro.
O que foi isso? Fiquei espantado. Um milagre? Será que o Zé Complicado descomplicou-se.
De repente o Zé me olhou com seriedade e manda: 
- Se você disser quem fala, paga, eu vou ficar sempre na sua frente levando vantagem, porque para mim a coisa já aconteceu, ou seja, quem falou, pagou.
Entendi que a coisa iria se complicar mais uma vez e resolvi encerrar o papo.
-  Cansei de falar. Vou embora. Até logo.
- É isso aí. Se você cansou de falar vai pagar porque comigo é assim: falou, pagou. Tá bem assim? Eu tenho sempre a razão.
E saiu cantando louvores aos santos protetores das suas idiotices.

O autor é educador, escritor e músico.
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

DINHEIRO OU CARTÃO?

                               Aldo Zottarelli Júnior

- Vai pagar em dinheiro ou no cartão?
Eis a pergunta que se tornou comum entre os habitantes do planeta. Nos quatro cantos, propriamente dito.
De uns tempos para cá, o cartão de crédito assumiu o controle dos nossos bolsos como o computador assumiu controle das nossas vidas.
Antigamente, quem tinha dinheiro no bolso demonstrava poder  e  sabia gastar muito bem. A frase mais importante dita por todos era "quem tem dinheiro, tem tudo."
Os "partidos altos" eram procurados  e escolhidos para se tornarem maridos ou mulheres, em casamentos familiares. Até primos se casavam entre si para evitar a saída do dinheirinho da família.
Que coisa, não?
Os anos foram se passando e o dinheiro, mesmo com o seu valor alto no mercado, enervava qualquer um porque poderia ser perdido, esquecido em algum lugar, ou os bandidos e assaltantes  espalhados mandavam a "guasca". Não perdoavam e continuam não perdoando:" - Me dá o seu dinheiro aqui, agora!"
Quem não atender a tal pedido, feito com a maior singeleza, vai para "cucuia". E vai mesmo!
O cartão de crédito veio para aliviar esse tipo de preocupação das pessoas em andar com dinheiro no bolso.
- Só levo o que preciso e nada mais do que isso?
Muitos falam assim .  Como saber o que cada um precisa para levar o seu rico dinheirinho nos bolsos ou bolsas?
Pergunte ao Nostradamus, seria a resposta correta.
Eu conheci o Nostradamus. Era um senhor de idade bem avançada e demonstrava isso nas incontáveis rugas no seu rosto. Ele gostava de contar os mistérios da vida, como um filósofo e era gostoso ouvi-lo explicando o inexplicável, recheando as suas estórias com gargalhadas profundas. Dizia ele sobre o dinheiro e o cartão de crédito.  
- Sou muito feliz por não ter dinheiro no bolso e há gente que tem e não é feliz como eu - dizia Nostradamus.
- Como isso pode acontecer? - perguntei
- Eu ando somente com cartão de crédito. 
E lá vinha a gargalhada de sempre acompanhando a resposta.
Era mais uma lição de vida.
Passei a adotar essa postura de sair e andar somente com cartão de crédito e pouquíssimo " réis" nos meus bolsos. Deu certo, porque não tendo dinheiro nas mãos, você não gasta tanto. É a regra básica explícita na Teoria da Marginalidade da Micro-economia : "quanto mais se tem, mais se gasta".
Agora com os tais cartões de crédito a coisa ficou mais segura e econômica. Em todos os cantos, encontramos a publicidade desses  cartões. Há cartão para tudo. Dos bancos, dos supermercados, das farmácias, dos clubes, das escolas, dos salões de beleza, dos ônibus, do Metrô, do bar da esquina, do ponto de Táxis, da Previdência Social, dos Hospitais, dos governos - federal, estadual e municipal - dos casados, dos solteiros, dos fofoqueiros, dos gays, dos cornos e outros menos votados. Provavelmente irá existir o cartão do inferno, do Céu e do purgatório, ficando para quem quiser escolher e pagar.
O desenvolvimento da humanidade caminha rapidamente e não sabemos até onde. 
Os otimistas esperam por um mundo melhor e diferente daquele do Aldous Huxley, que ao escrever o seu "Admirável Mundo Novo", mostrou uma visão pessimista da  sociedade tecnológica futura onde tudo seria obedecido às regras e os viventes espionados e acompanhados por uma central governante sujeitando todos à submissão e ao enquadramento, ou seja; cada um no seu quadrado! Corretamente, a obra de Huxley deveria ser chamada de O Abominável Mundo Novo. 
Percebo, no entanto, que agora, o mundo está ligado direto ao domínio do plástico e do papel.
O dinheiro de plástico ao ganhar do papel está reinando com força total, sendo possível que, através dele, iremos alcançar algo que nunca imaginamos. A Terra se tornará um globo plastificado.
Entretanto, não podemos nos esquecer que teremos uma única obrigação a cumprir para não perdermos o fio da meada de continuarmos honestos e, com isso, nos afastarmos do artigo 171 do Código Penal brasileiro que enquadra quem deixar de pagar tudo que acumulou como débito, no vencimento mensal do cartão de crédito. 
- Tudinho? - perguntei a mim mesmo.
- Claro - afirmou uma voz gritante e idêntica a do Nostradamus
Em seguida, ouvi a sua gargalhada moral. Ou seria . . .mortal?

O autor é educador, escritor e músico.
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