domingo, 6 de outubro de 2013

TEMPESTADES E FURACÕES

                     Aldo Zottarelli Júnior

Segundo os entendidos, não há nada mais triste do que um domingo com cara de chuvas.
Pois é! Quem pensa assim é quem nunca viu um domingo com tempestades e chuvaradas para tudo quanto é lado.  Aí sim é que seria triste mesmo. Ou mais triste, com  um furacão derrubando tetos das casas, virando automóveis no avesso, vacas, bois, cavalos, cachorros e outros animais atirados ao ar, árvores sendo arrancadas pelas raízes com a força da natureza revoltada, águas saindo dos leitos dos rios, dos lagos, das lagoas e dos mares em enchentes jamais esperadas, etc. Bem, não se trata apenas de um ato da natureza mas da sacanagem que ela faz com a gente. Não é? E tudo isso num domingo. 
É triste para a visão e para a mente de qualquer pessoa.
O leitor está esperando que eu aponte esse tipo de problema como se estivesse vivendo ou que tenha vivido com ele. Lêdo engano! 
Lá vai.
Num dos meus domingos em Astoria, no Queens, Nova Iorque, o céu amanheceu todo encoberto com nuvens cinzentas e o pessoal daquele bairro da Big Apple achava que iria cair uma chuva pra ninguém botar defeito. Pois bem, fiquei esperando por ela e ela não veio. Deve ter caído nas proximidades. Ótimo para mim e péssimo para quem ficou molhado ou trancado em algum lugar, fugindo das águas atormentadoras.
Mesmo assim, fiquei observando o comportamento das pessoas e de alguns pássaros - pequenos e grandes - que se deslocavam com  rapidez e com o receio de serem apanhados pelas chuvas.
Que coisa que esse tipo de problema acarreta em todos os personagens viventes numa comunidade, seja ela de qualquer país e falando qualquer idioma. Aliás as chuvas não falam. Descobri isso há algum tempo. Elas apenas enchem o saco. 
Entretanto, não é assim que os homens do campo pensam a respeito dessas águas  que caem do céu e que a maioria dos outros mortais pensam. Mas vamos deixar esse papo pra lá e vamos ao encontro do Filadelfo, homem bom, com seus quarenta e tantos anos de vida conjugal pouco perturbada. 
Contei a ele a minha preocupação com os estragos que as chuvas ou as tempestade ou furacões podem causar ao homem.
- As coisas não são bem assim.- disse-me ele.
- Como não são.- respondi.
Ele olhou bem para os meus olhos e me perguntou:
- Você é feliz com a sua mulher?
- Sim, eu sou.
- Não há nada que atrapalhe esse relacionamento?
- Nada!
- Nada mesmo?
- Nadica de nada. Por que essa pergunta?
- Eu explico. O dia que você for contemplado e ganhar uma sogra como a minha, jamais ficará preocupado com tempestades e furacões e outros tipos de chuvas.
- Ué, por que?
- Não existe estrago maior na vida de uma pessoa do que as broncas, palpites e influências de uma sogra. 
- Verdade?
- Claro. É pior do que qualquer furacão destruidor que alguma  mente possa imaginar e aguentar.
Permaneci em silêncio, ao ouvir essas palavras.
- Antes que você fale alguma coisa - disse-me Filadelfo - é melhor eu me retirar. Tchau!
E se retirou correndo como se estivesse apavorado.
Enquanto isso,  eu fiquei pensando nas nuvens escuras nos céus de Astória, em Nova Iorque e sorri para mim mesmo me perguntando:
"Será verdade o que o meu amigo me falou?"
Imaginei a dona Ambrozina, a estimada e querida sogra do Filadelfo, atormentando-o com aquela voz alta e desafinada, lembrando uma taquara rachada e ponha rachada nisso.
Seria algo assustador e inenarrável. 
Fiquei com pena dele. 
Ah, coitado!

O autor é educador, escritor e músico

e mail: aldozottarellijunior@gmail.com

sábado, 5 de outubro de 2013

COMO VOCÊ VOLTARÁ?

                                                    Aldo Zottarelli Júnior

Ontem, você passou por mim com uma certa traquilidade, diferente da outra vez, quando você veio com uma arrogância absurda e me destratou, esbarrou em meu corpo como se tivesse me agredido com um soco, me balançou até eu necessitar me amparar em um objeto qualquer para não cair ao solo. Lembra?
Eu me lembro muito bem, inclusive das palavras que proferi à você como se eu estivesse explodindo e desabafando o meu psique, numa espécie de agressão verbal.
Hoje, logo pela manhã, eu senti que você iria aparecer outra vez. E aconteceu. Só que desta vez você veio bastante calmo, distribuindo um calor do seu corpo, diferente de ontem quando você estava muito frio e me fez sentir um arrepio em todo o meu corpo, como se o inverno estivesse abrindo as suas portas.
Gostei de sentir você calmo e quente. Fechei os meus olhos e levantei a minha cabeça em direção ao sol que, brilhando com os seus raios quentes e gostosos, me oferecia a oportunidade de poder obter uma cor mais morena em minha face.
Foi muito bom. Bom demais. Foi tão bom que, naquele momento, tudo que girava dentro da minha cabeça sumiu, e um hiato muito espaçoso e até perfumado tomou conta do meu ser. Nunca havia sentido algo semelhante. Eu me sinto arrepiado só em lembrar.
Gostei! Gostei muito.Parecia que eu flutuava num universo emocional.
Durou pouco essa sensação.
De repente, os seus abraços foram se soltando e se afastando enquanto, novamente, uma sensação de ser mais um na face da terra voltou em mim.
Não gostei.
Tentei olhar para mim mesmo, ou seja, para dentro de mim e me lembrei que toda vez que você aparece e toca no meu corpo sinto essa sensação diferente.  É algo que por mais que eu queira contar ou comentar não consigo. Até parece que é um caso de amor forte e único entre dois seres. Um da aldeia dos animais racionais e o outro da aldeia dos universais temporários.
O que seria isso ou essa ultima aldeia?
Só quem a criou sabe. Eu não sei. 
Apenas sinto na pele os seus contatos e, com eles, eu me transformo, me preocupo, me desfaço e me acabo ou ... renasço. Como saber?
Espero que, nos próximos dias, você volte a manter um novo contato comigo, me tocando levemente, como hoje, e desse toque possa nascer um momento de bem querer, como se fosse o amor, mesmo sabendo que, em segundos, você pode desaparecer e voltar totalmente diferente. Pago qualquer preço para ver e sentir.
Como você voltará?
Para evitar um sofrimento de perda, eu fico aguardando essa sua volta e que ela venha da maneira que vier, forte, leve, frio, úmido, seco, quente, etc, mas que volte sempre como um vento inesquecível que faz parte da minha vida.
Realmente, você, vento, levou uma parte da minha alma. Para sempre!

                                                                 O autor é educador, escritor e músico

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terça-feira, 1 de outubro de 2013

UMA LIÇÃO DE VIDA

                                     Aldo Zottarelli Júnior

Estava sentado a frente de uma mesa de pedra, no jardim de uma das casas do bairro de Astória, em Nova Iorque, onde o desenvolvimento é pronunciado com o grande número de edifícios residenciais de luxo que estão sendo construídos. Verdadeiras torres modernas. Praticamente esse bairro fica logo após a travessia do East River, onde o cenário é a vista maravilhosa da ilha de Manhattan, com seus edifícios estupendos e marcantes. Realmente, é o bairro onde a valorização imobiliária é enorme com tendência a aumentar ainda mais.

Mas, aqui estou, sentado e olhando as árvores que me proporcionam uma sombra gostosa e refrescante com suas folhas que, dentro de alguns dias, irão mudar de cor anunciando o inverno forte que se aproxima.
Esfrego os meus olhos como se estivesse com sono, dou um bocejo e ouço um ruído vindo do local onde estão colocadas as latas de lixo. Fixo o meu olhar para aquele local e vejo a cabeça de um bichinho simpático, equilibrando o seu corpo em duas patinhas e fixando o seu olhar para mim.
Inicialmente percebo que essa figurinha é semelhante ao rato só que o seu rabo era grande, peludo e o seu fucinho era redondinho, bem diferente da cabeça bicuda de um rato que normalmente tem o rabo fino como uma cordinha suja.
Devo citar que há ratinhos brancos, bonitinhos e até domésticos servindo de companheirinhos de crianças ou de material de  testes para laboratórios científicos, etc. 
A figurinha que estava a minha frente olhou para um dos lados e gritou "pode aparecer"e imediatamente surgiu mais um esquilo.
- Este é o meu irmão Carl. Eu sou Michel e o nosso território é este jardim. Vivemos aqui alguns anos e somos felizes porque todos deste bairro nos conhecem e nos respeitam.
Arrisquei a conversa:
- Como as pessoas respeitam vocês dois?
- Porque nós não incomodamos as pessoas como os nossos primos cinzentos e sujos que chegam até a prejudicar a saúde de muita gente. Nós, não! Buscamos os nossos alimentos sem prejudicar ninguém e vivemos correndo e saltando pelas árvores, caminhando pelos fios de eletricidade ou arames esticados entre os postes e já salvamos muita gente de acidentes.
- Como? -perguntei.
Carl tomou a palavra:
- Vou dar um exemplo. Na semana passada, uma criança iria atravessar essa rua aí em frente e não viu que um caminhão se aproximava. Fiquei apreensivo porque o caminhão iria atropelar aquela menina. Gritei com todas as forças do meu pulmão e fiquei pulando bastante e derrubei um latão de lixo causando um grande barulho. A menina parou para olhar o que estava acontecendo e não atravessou a rua. O caminhão passou com muita velocidade e o acidente não aconteceu.
- Bacana! - exclamei.
- Bacana? - emendou o Michel - É que você não sabe como o Carl incomoda as donas das casas deste bairro entrando nas cozinhas a procura de amêndoas.
- Amêndoas? Porque amêndoas?
Carl empurrou o Michel para o lado e explicou:
- Amêndoas é o nosso principal alimento no inverno para nos mantermos vivos e com saúde. E o inverno está chegando. Né?
Olhei para os dois esquilos e disse:
- Vocês roubam as cozinhas das casas? Eu pensava que vocês eram honestos e sinceros. Não achava que vocês seriam dois ladrões.
- Não somos ladrões - afirmou Michel- somos bastante honestos e sinceros para afirmar a você que ao pegar algo para matar a nossa fome e nos mantermos vivos, não muda jamais a nossa honestidade e nem a nossa sinceridade.
Carl completou:
- Quem apanha algo para comer e manter-se vivo não está cometendo um ato de furto ou roubo. Está defendendo a própria vida. Isso até Deus perdoa.
- Deus perdoa? - perguntei.
- Claro! O seu Deus é o mesmo para nós. Apenas nos diferenciamos como espécie de animais. - disse Carl.
Não sei porque ouvi um estalo e abri os meus olhos. Não havia esquilo algum na minha frente. Olhei para os lados. Levantei-me da cadeira onde estava sentado e tentei novamente procurar os tais esquilos. Nada. Tudo estava silencioso naquela manhã de outono, naquele jardim, à frente de uma casa no bairro de Astória, em Nova Iorque.
Agradeci a Deus pela lição que me foi ensinada pelos dois bichinhos e fui tomar o meu cafezinho de todas as manhãs.

O autor é educador, escritor e músico.

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DUAS ALMAS.

                                                    Aldo Zottarelli Júnior

Eram duas almas que nasceram e viveram juntas.
- Como é bom - disse uma delas - que estamos vendo esse mundo todo se mexendo ou balançando de um lado para outro.
- É verdade! Tenho observado que já fomos bonitas e agora a cor dos nossos corpos está ficando muito amarelo e o verde da nossa saúde está se acabando.
- É uma pena mas é a regra geral da vida. Fazer o quê?
Conversando bastante, as duas almas contavam o que observaram naquele local onde elas surgiram e que proporcionava a cada uma delas uma experiência de vida.
- Veja você, companheira de todas as horas, ontem, pela manhã, nos vimos o casal que ficava sempre ao nosso lado, mudar totalmente de cor e bem secos e enrugados caírem sem ninguém tentar salva-los.
- Olha os dois deitados no chão. É possível que, no final da vida deles, o crematório seja a sua última morada ou eles sejam esquecidos debaixo da terra.
Naquele momento, um vento forte bateu nas faces das duas amigas.
- Cuidado querida que esse tipo de vento pode nos derrubar.
- E do chão nós não passamos, não é?
- Ainda mais agora que estamos idosos e sentindo a cada ruga que aparece em nosso corpo a mudança do verde-saúde para o amarelo-doença.
- Ou para o marrom, ou champagne, ou vermelho. . .
- Seria ótimo se fosse vermelho porque é bom lembrarmos que os pigmentos vermelhos, chamados de antocianinasque podem trazer uma proteção contra a radiação solar intensa, garantindo o fenômeno da fotosíntese que geram energia. 
- É por isso que algumas árvores fiquem com as suas folhas avermelhadas?
- Sim.
- Você se lembra quando as pessoas vinham em nossa direção e se sentavam à nossa sombra, sem perceberem que nós tínhamos vida e sentíamos tudo o que acontecia.
- Quando eram casais de namorados, os  beijos apaixonados e as declarações de amor eram constantes. Lembra? 
- Era mesmo. Agora, que estamos amarelecidas e com a contagem caminhando para o final, não  conseguimos mais ouvir ou ver os momentos de paixão entre duas pessoas.
- Infelizmente outra rajada de vento frio se aproxima e o nosso amarelo vai virar uma cor praticamente sem vida e os nossos corpos vão ficar rígidos e facilmente quebráveis.
- É uma pena que isso venha a acontecer. Aliás está acontecendo. Não podemos nos esquecer que pertencemos a uma família famosa denominada de álam. . .
Fez-se silêncio.
- Querida! Onde você está?
Olhando em direção ao chão, a amiga viu que as forças da sua companheira haviam terminado e ela não conseguiu se segurar ou se equilibrar no galho onde estavam e caiu mansamente, repousando discretamente no chão. Silenciosamente, morta!
Em seguida e chorando, a outra flor de álamo caiu de tristeza e juntou-se com a  companheira de sempre. 
Mortas, as duas folhas ficaram abraçadas como duas almas amantes até que um vento mais forte desmanchou aquela união enviando cada uma delas para lugares diferentes.
Mais tarde, uma cremação ao pé da árvore em que viveram foi feita por um desconhecido. Elas se foram para sempre com a fumaça daquela queimada. 
Era o outono que havia chegado e, logo depois, viria o terrível inverno.

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domingo, 29 de setembro de 2013

QUE SE CALE PARA SEMPRE

                                         Aldo Zottarelli Júnior

Não é por a acaso que, ao se reunir com os amigos, em uma uma mesa de bar, o cidadão encontra as  condições necessárias para comentar sobre a vida de outros, sem qualquer esforço. "Isso é muito feio", diria o meu querido e saudoso pai. Mas acontece!
Quando a reunião "barlesca"( não sei se existe esta expressão) está entre os queridos membros de uma mesma família, a coisa pode piorar muito porque acabam sendo citadas e envolvidas as seguinte pessoas: tios, tias, primos, primas, irmãos, avós, invejas, etc.
- Você quer o quê, - diria o satânico Hipócrates ( o tal filosofo dos médicos) - se a própria bíblia acusa Caim de matar o seu irmão Abel, sem especificar quais foram as posteriores reações dos seus pais Adão e Eva,  com o tenebroso e burlesco acontecimento. 
Os mais estudiosos bíblicos afirmam que Eva dava mais atenção para o seu filho Abel do que para o outro filho Caim. Este não tinha o bar da esquina para afogar suas mágoas invejosas e foi logo 
escolhendo a pior saída ou apelação: mandar o seu irmão para o purgatório. 
Nota: Naqueles dias não se comentava a existência do inferno mas apenas do Satanas, o famoso anjo mau incorporado numa serpente simpática, traiçoeira e enrolada pra caramba, com uma maçã na boca presa pelos seus exclusivos dois branquíssimos dentes.
Mas vamos continuar no bar da esquina.
- O Carlão se separou da mulher- disse um de seus frequentadores.
- O  Carlão? Porquê?
- Alguém falou pra ele que ela costumava se encontrar com um cara no Motel "Feliz da Vida", lá na estrada de. . .
- Mentira! - interrompeu outro  companheiro de mesa. Esse motel é de péssima qualidade, Eu não entro nele quem me matem.
- Pode ser.  Só que ela entrou. E tem mais, depois de morto você não manda nada. Só recebe ordens. Tá? - disse o  Inglês, apelido de um dos que conversavam naquela mesa e que usa um par de óculos "Ray Ban", verde escuro. Pô, parece um ceguinho de luxo.
- Vamos falar do Bigorrilho? - sugeriu o "Regio Calábria", apelido de um neto de italiano e filho de uma saudosa e querida professora de Grupo Escolar, também companheiro naquela mesa.
- Ele está na Santa Casa. - respondeu o Armando.
- O que foi que aconteceu com ele? - perguntou o Carlão.
Armando, sorrindo, respondeu.
- Ele foi lá para fazer uma entrega de toalhas para as voluntárias daquele hospital.
De repente, surge um comentário: 
- Vocês estão sabendo que o Galdio e o Mirlesco abriram uma empresa para  colocação e consertos de telhados? E mais. Não querem contratar funcionários, para evitar despesas supérfluas.   Eles irão fazer, pessoalmente, os trabalhos da empresa.
- Se ontem eles abriram essa tal empresa, irão fechar no primeiro empreendimento.
- Porquê?
- Ora se o Galdio pesa 140 quilos e o Mirlesco tem pesagem igual, qual o telhado que vai aguentar os dois juntos trocando as respectivas telhas?
Foi uma risada total daqueles que se encontravam bicando uma cervejinha, naquela mesa.
Sem ter o que fazer e sem inspiração, acabei contando este fato abrangendo muitas coisas onde poucos devem ter percebido essa minha intenção.
Vamos lá. Falei sobre os seguintes assuntos:  mesa de bar, fofocas, mentiras, família, pai, tios, tias, primos, primas, avós, Adão, Eva, Caim, Abel, Satanás, purgatório, Hipócrates, traição de casal, Bigorrilho, Galdcio, Mirlesco, Regio Calábria, Santa Casa, voluntariado, etc.
Impressionante como funciona a nossa mente quando não estamos fazendo nada importante. É aqui que mora o perigo.
Quem duvida da capacidade mental do próximo, mesmo que ela seja infinitamente péssima, como a minha neste momento, que apareça  e diga agora ou, então, que se cale para sempre.Tenho dito e "re-dito."

O autor é educador, escritor e músico.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

ESPIONAGEM?

                                                                                Aldo Zottarelli Junior 

Vamos imaginar que a estória que eu vou contar seja possível ou verdadeira.
Palácio do Alvorada, em Brasília. Uma quarta feira de setembro. 9:30hs da manhã.
- O ex presidente já entrou - afirnou o guarda da guarita de segurança da entrada do Palácio do Alvorada.
Poucos minutos depois, no escritório da residência oficial da presidente da república, estão sentados a dita cuja, o ex-presidente e o consultor do marketing que tem nome de santa: Santana.
O barbudinho de voz rouca toma a palavra.
- Dilma, você não deve se encontrar com o presidente americano em Washington,nem que ele tussa. Nada disso! Precisamos aproveitar a oportunidade que essa espionagem de araque nos dá, para sairmos na frente na campanha eleitoral do ano que vem.
- Mas como? - perguntou o marqueteiro.
- Eu explico. Santana, você não acha que esse caso de espionagem já tomou conta dos noticiários nacional e internacional e, assim, podemos tirar, gratuitamente, alguma coisa de bom para nós?
- Podemos fazer um big marketing com essa tal espionagem. Já está aqui na minha cabeça.
- Vocês dois sabem - disse o barbudinho - que todos governos costumam fazer da espionagem um toque para a sua segurança. Nós também temos os nossos informantes oficiais e extra-oficiais em países que nos interessam, besbilhotando sob qualquer ponto de vista- afirmou a presidente.
Santana interveio:
- É verdade! Eu li no livro de John Perkins sobre as confissões de um assassino econômico e entendi o verdadeiro significado desses agentes extra-oficias que prestam serviços para às principais empresas norte-americanas, fornecendo informações sigilosas de interesse da Casa Branca, com ou sem a internet.
- Esse tipo de informação diz respeito, provavelmente, sobre a economia e até aos atos específicos do governo espionado. Não é? - perguntou o barbudinho
Dilma, baforando o seu charuto cubano que acabou de acender, olhou para os dois companheiros e afirmou:
- Foi por isso que eu não quis convocar o nosso Ministro do Exterior para essa reunião. Acho que esse assunto pode sair da esfera da diplomacia governamental e ganhar espaços fundamentais e práticos para as eleições do próximo ano.
- Eu também acho! - afirmou o ex-presidente e completou - você não vai visitar o Obama, em Washington, mas pode, muito bem, na semana seguinte, abrir a Assembleia Geral da ONU  mandarndo um recado para o mundo e, com isso, trazer muitas nações para o nosso lado. Tudo irá depender do seu discurso.
Houve um pequeno momento de silêncio. Santana quebrou esse hiato e se ofereceu:
- Se a senhora quiser eu posso fazer o rascunho. Não podemos nos esquecer que a maioria dos brasileiros, especialmente os das classes C e D, que elegeram o partido de vocês para dirigir o Brasil, não admiram os Estados Unidos, porque são pobres e, geralmente, pobre não gosta de gente rica e esnobe, como é o povo dos Estados Unidos.  Daí, qualquer coisa que possa servir de crítica aos americanos em defesa dos interesses do Brasil se transformará em votos garantidos nas próximas eleições. A palavra chave que a senhora presidente deverá pronunciar na ONU é soberania nacional. A mesma soberania que todos os países possuem e defendem e não querem ser espionados mas, espiam. Não é?
O ex-presidente abriu um sorriso e disse:
- É isso mesmo, Santana. Vamos sair na frente. Vamos depender desse discurso. E a voz da Dilma é agradável e prende atenção de quem a ouve.  O mundo irá reprovar a conduta do Obama e de seus compatriotas, enquanto nós ganharemos a admiração dos eleitores brasileiros que sentirão,na pele, as ofensas à soberania do Brasil.
Em seguida, os três combinaram aplicar uma estratégia sobre a espionagem na internet,  visando ganhar todos os frutos que brotarem no seio da população brasileira.
Uma dessas medidas será espalhar mentiras porque o brasileiro gosta de ouvir e acreditar em mentiras. A outra é esquecer a lei natural de que a espionagem é praticada por todos os países porque precisam dela para a segurança econômica e social além do desenvolvimento nacional de cada um. Só não sabe quem não quer saber. Ou fingir que não sabe. James Bond não é o único espião do mundo. Todos podemos ser. É questão de oportunidade, ainda mais com a existência da Internet e outros canais sociais semelhantes.
Há o outro lado da moeda da espionagem. Será que algo inesperado possa acontecer?
Ou seja, o Brasil, diante dessa tal espionagem ou picaretagem dos Estados Unidos, resolva se  transformar num país comunista ofendido e inimigo dos americanos, contando com o apoio da Venezuela, Bolivia, Argentina, Cuba e Rússia, abrindo um conflito armado contra as tropas do Tio Sam. Cuba enviaria soldados da sua ilha para lutarem pela nossa pátria, como enviaram os seus médicos para defenderem a saúde dos brasileiros. Será?
Penso que temos tudo para sermos derrotados e perdermos esse conflito, do primeiro ao quinto! 
Mas, e se o Brasil ganhar?
Ainda bem que essas linhas não passaram de uma estória muito bestial e inventada por um maluco quem não tinha o que fazer numa madrugada de uma quarta feira, no início de uma primavera, porque o sono não veio. 
Daí. . . bem, deixa pra lá!

                                                       O autor é educador,escritor e músico.
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terça-feira, 10 de setembro de 2013

PROBLEMAS DE LINGUAGEM

                                                        Aldo Zottarelli Júnior

- Obrigado, Claudete.
- Não é Claudete, é Odete.
- E daí? Ambas tem o "dete" em seus nomes, não têm?
- Têm
- Daí, estamos em casa, não estamos?
- Casa de quem?
- Da dete, né?
Ele sempre foi assim, diziam os amigos, e a confusão de nomes e de palavras era a coisa mais simples que acontecia com ele.
Um dia, ele estava estudando a história antiga e viu o desenho do Colosso de Rodes, uma das maravilhas do mundo e se entusiasmou. Procurou o professor do colégio para contar como ele havia ficado impressionado com aquele monumento grego.
- Professor. Hoje eu fiquei espantado com o monte de ossos daquele rodão que é um monumento da Persia. 
- O que você está dizendo?
- Aquele monumento gigante que é considerado uma das maravilhas do mundo antigo.
O professor ficou pensando no que o seu aluno lhe disse. De repente veio o estalo.
- Será que você não quis dizer o Colosso de Rodes, uma das ilhas da Grécia? 
- Isso, isso, isso. Colosso de Rodas
- Rodes, meu caro. A grande estátua, com 30 metros de altura, representava Helio, Deus do Sol da Mitologia Grega e foi construído entre os anos 290 e 280, antes de Cristo.
- Isso, isso, isso. Antes de Cristo já é uma boa, não é professor?
Muitos exemplos eu poderia citar das bobagens e das palavras trocadas que o Deutônio fazia. Alem disso, ele era muito teimoso com as suas tiradas erradas e a sua teimosia era igual a de um jumento com todo o seu conteúdo, grau e etc.
Quando ele trocou "forte" por "porte" foi demais. Ele afirmou que o forte de armas seria "um crime de alta abstinência, previsto no código civil universal, dentro da conjuntura internacional. Deveria ser discutida na ONU, em Nova Jersey." Olha aí a confusão. Trocou até a cidade sede das Organização das Nações Unidas:  Nova York por Nova Jersey.
Continuando, ele afirmava:  "nenhum portudo teria a força para enfrentar tal diabrura". Deu pra entender? Então me explique o que ele quis dizer com tais afirmações? 
Adivinhar o que aquele cara dizia era uma forma de passatempo construtivo para caramba, sendo complicado demais para se tentar a adivinhação.
Uma vez, ele ficou com tanta raiva de um amigo e não perdoou o coitado.
- Sei que você anda falando de mim - disse ele - e se continuar eu vou lhe dar um burro. Tá?
- Por que um burro? Eu não quero burro algum.
- Vou dar, assim mesmo! E na sua cara!
- Um burro na minha cara? Não entendi.
Ele queria dizer um murro, soco ou algo parecido. Seria engraçado ele carregar um burro e joga-lo na cara do amigo. Não seria? Vamos imaginar a cena. Impressionante!!
Esse tipo de pessoa é bastante comum num país onde o idioma provoca muitas condições para que as palavras  sejam trocadas, ou que tenham significados diferentes, mas  com a mesma ortografia e com sons parecidos 
Dizem que para falar besteira, bastar abrir a boca. Nem é preciso ser um Deutônio,para tanto.
E não é que isso é a mais pura verdade.
- Verdade, verdadeira ou mentira, mentirosa? - Deutônio poderia perguntar.
Pois é. Aí está. Basta abrir a boca ou escrever alguma coisa e lá vem besteira.
Já perceberam que acostumamos a não nos acostumarmos com a nossa língua portuguesa porque ela é demais complicada. Parece que os outros idiomas são mais fáceis de serem compreendidos e, com isso, tudo fica mais compreensivo na comunicação pessoal entre os que falam ou entendem os idiomas dos gringos. 
Conheço bem as confusões que aparecem quando as palavras sinônimas são utlizadas em nossa linguagem. Na maioria das vezes, tais confusões são consideradas "homéricas"  (onde eu fui buscar isso? Homéricas? ) e somente são explicáveis por aqueles que amam e estudam a nossa língua portuguesa. Não é?
Há palavras que são escritas com "c" ou com dois "s" deixando muita gente atrapalhada e  quem as ouve, disfarça com um sorriso maroto. Pura maldade!
Entrei numa loja do Shopping e ouço uma vendedora loira,bem maquiada e linda, perguntar para outra vendedora, também muito bonita, com uma voz leve, solta e feminina, se a palavra "passeio" era com "c" ou com dois "s".
Confesso que senti uma enorme vontade de dar um sorriso amarelo. Deixei pra lá e saí daquele local indagando a mim mesmo porque é que o nosso idioma oferece tantas dúvidas, como a daquela vendedora loira. Falta de escola? Talvez. Falta de leitura? Talvez. Falta de qualquer coisa? Com certeza! Absoluta!
Lembrei-me do Deutônio quando, num velório, ele afirmou para a viúva, diante do caixão fúnebre de seu marido, que "infelizmente, estava morrendo gente que nunca morreu!"
A mulher, olhando para ele, aumentou o seu pranto de dor, gritando:
- Tira esse homem daqui.
Foi o coroamento daquele imbecil ou ignorante . Agora eu pergunto: ele tem razão, ou não?
A vida nos prepara muitas surpresas e nos mostra que há inúmeros Deutônios por ai...
Alguém duvida?
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